A líder opositora venezuelana, María Corina Machado, venceu o Prêmio Nobel 2025 da Paz. O anúncio foi feito pelo Comitê Norueguês do Nobel, em Oslo, nesta sexta-feira (10).
Conforme observou o ClickPB, prêmio reconhece os esforços persistentes de María “em favor da restauração pacífica da democracia e dos direitos humanos na Venezuela”.
O prêmio totaliza 11 milhões de coroas suecas (cerca de R$ 6,2 milhões).
De acordo com o comitê do Nobel, María foi escolhida por representar “um dos exemplos mais extraordinários de coragem civil na América Latina nos últimos tempos”.
María é fundadora do movimento Súmate, criado há mais de 20 anos para fiscalizar eleições e promover o voto livre no país. Ela se tornou símbolo da resistência ao regime de Nicolás Maduro, enfrentando perseguições, bloqueio de candidatura e ameaças à própria vida.
Quem é María Corina Machado
María Corina Machado nasceu em 1967. A venezuelana é engenheira de formação, com estudos em finanças. Ela iniciou a carreira no setor privado antes de se dedicar à política e à defesa dos direitos civis.
Em 1992, fundou a Fundação Atenea, voltada ao acolhimento e educação de crianças em situação de rua em Caracas. Também ajudou a fundar a Súmate, organização dedicada à promoção de eleições livres e transparentes.
Em 2010, foi eleita deputada da Assembleia Nacional com recorde de votos, mas expulsa do cargo em 2014 pelo governo chavista. Foi uma das fundadoras da aliança Soy Venezuela, que reúne forças pró-democracia de diferentes correntes políticas.
Em 2023, anunciou sua candidatura à Presidência da República, mas teve a inscrição barrada pelo regime. Nas eleições de 2024, apoiou o opositor Edmundo González Urrutia, cuja vitória foi negada pelo governo, apesar das evidências apresentadas pela oposição.

Nobel da Paz
Pelo testamento de Alfred Nobel (1833-1896), o Prêmio Nobel da Paz deve ser entregue à pessoa ou organização que tenha contribuído de forma significativa para a fraternidade entre as nações, a abolição ou redução de exércitos permanentes, e a promoção de congressos de paz.
Entre os nomes apontados como favoritos estavam o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), as Salas de Resposta de Emergência do Sudão e a ONU, que está completando 80 anos.
Até 2024, 19 mulheres e 92 homens haviam recebido o prêmio. Por 19 vezes, o comitê organizador resolveu não entregar a honraria a ninguém — a última em 1972.
Em 2024, o Nobel da Paz foi concedido à Nihon Hidankyo, uma organização que representa sobreviventes dos bombardeios nucleares de 1945 em Hiroshima e Nagasaki.
Mahatma Gandhi foi indicado cinco vezes para receber o Prêmio Nobel, mas nunca venceu.