Presidente da Fundação Palmares critica Dia da Consciência Negra

Presidente da Fundação Palmares critica Dia da Consciência Negra

Sérgio Camargo chamou a data, a qual classificou como racista, de “Dia da Vitimização do Negro”.

Sérgio Camargo, presidente da Fundação Cultural Palmares, órgão responsável pela promoção e preservação de manifestações culturais negras, criticou e ironizou o Dia da Consciência Negra, em postagens em seu perfil no Twitter neste sábado (20).

Camargo escreveu que o “povo brasileiro precisa acordar para a natureza intrinsecamente racista do Dia da Consciência Negra”. Ele também chamou a data de “Dia da Vitimização do Negro”, “Dia da Mente Negra Escravizada pela Esquerda”, “Dia do Culto ao Ressentimento pelo Passado” e “Dia de Luta pela Divisão Racial do Povo”.

O presidente da Fundação Palmares está proibido pela Justiça de nomear ou afastar funcionários após denúncia do Ministério Público que o acusa de perseguição político-ideológica, discriminação e tratamento desrespeitoso no comando da instituição.

A Consciência Negra é celebrada neste sábado (20). A data marca a morte de Zumbi dos Palmares, assassinado em 20 de novembro de 1695. Líder do Quilombo dos Palmares, ele foi um dos principais representantes da resistência negra à escravidão no Brasil.

A postura de Camargo não é novidade. Neste sábado (20), ele também lembrou uma entrevista concedida em 2019, pouco depois de assumir a presidência da Fundação Palmares, na qual defendeu o fim da data. Na ocasião, ele afirmou que a data foi apropriada pela “esquerda para propagar vitimismo e ressentimento racial”. Ele disse ainda que, em sua gestão, a Fundação não daria “suporte algum” ao Dia da Consciência Negra e que passaria a valorizar o dia 13 de maio e, nas palavras dele, “o papel da Princesa Isabel na libertação dos negros”.

Em 13 de maio de 1888 foi sancionada a Lei Áurea, que pôs fim à escravidão no Brasil. Atualmente a data é comemorada como Dia da Abolição da Escravatura.

Histórico

nomeação de Sérgio Camargo para a presidência da Fundação Cultural Palmares foi oficializada em 27 de novembro de 2019 e gerou uma série de críticas e indignação. Em uma publicação, antes de ser nomeado, ele classificou o racismo no Brasil como “nutella”.

“Racismo real existe nos Estados Unidos. A negrada daqui reclama porque é imbecil e desinformada pela esquerda”, disse Sérgio Camargo.

Ele também postou, em agosto de 2019, que “a escravidão foi terrível, mas benéfica para os descendentes”. “Negros do Brasil vivem melhor que os negros da África”, completava a publicação.

Camargo publicou uma mensagem numa rede social na qual disse que “sente vergonha e asco da negrada militante”. “Às vezes, [sinto] pena. Se acham revolucionários, mas não passam de escravos da esquerda”, escreveu.

Em 13 de maio, aniversário da Lei Áurea, ele publicou artigos depreciativos a Zumbi no site oficial da instituição. Em redes sociais, disse que Zumbi é “herói da esquerda racialista; não do povo brasileiro. Repudiamos Zumbi!”.

Em 2020, Camargo foi gravado xingando Zumbi dos Palmares, afirmando que o líder quilombola era um “filho da puta que escravizava pretos”.

Dia da Consciência Negra

Neste 20 de novembro, manifestantes foram às ruas de algumas cidades em atos antirracistas e contra o presidente Jair Bolsonaro. Os protestos também incluíram outras pautas sociais, como aumento da fome no Brasil e a disparada na inflação.

Participaram dos atos movimentos sociais e estudantis, organizações sindicais e partidos políticos.

G1- Foto de arquivo de 6 de maio de 2020 do presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo — Foto: GABRIELA BILÓ/ESTADÃO CONTEÚDO

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